A construção sustentável é o eixo central da agenda que a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) quer escalar para tornar as cidades brasileiras mais preparadas para as mudanças climáticas. A mensagem foi transmitida na abertura do Construindo Cidades Resilientes – Fórum de Desenvolvimento Imobiliário, Construção e Finanças Sustentáveis, realizado em São Paulo com a participação de entidades do setor, formuladores de políticas públicas e instituições financeiras.
O que a CBIC defende para a construção sustentável
O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, reafirmou o compromisso da entidade em trabalhar em parceria com o poder público, as entidades do setor e as instituições financeiras para promover uma construção cada vez mais inovadora, eficiente, sustentável e preparada para contribuir com o desenvolvimento do Brasil. Para ele, não existe contradição entre proteger o meio ambiente e ampliar a competitividade do setor.
"A CBIC acredita que sustentabilidade e desenvolvimento caminham juntos. A inovação, a eficiência e a descarbonização representam oportunidades para aumentar a produtividade, reduzir custos ao longo do ciclo de vida das edificações, agregar valor aos empreendimentos e ampliar o acesso a novos mercados e fontes de financiamento", afirmou Aroeira.
- Redução de emissões ao longo do ciclo de vida das edificações
- Uso de materiais de menor impacto ambiental
- Eficiência energética e hídrica nas construções
- Integração de novas tecnologias nos processos construtivos
- Cidades mais preparadas para os desafios climáticos
Cidades resilientes e o financiamento da transição
Segundo Aroeira, a agenda climática deixou de ser apenas uma pauta ambiental para influenciar diretamente a competitividade das empresas, a capacidade de atrair investimentos, a produtividade da economia e a qualidade de vida da população. "Falar de cidades resilientes é falar de infraestrutura, habitação, mobilidade, eficiência, inovação e desenvolvimento. É nesse contexto que a construção civil assume um papel estratégico", completou.
O Brasil reúne condições favoráveis para liderar essa transformação: matriz energética predominantemente limpa, capacidade técnica reconhecida, setor empresarial inovador e um mercado com grande potencial para soluções de baixo carbono. O Fórum discutiu os desafios do acesso a crédito, a percepção de risco e a estruturação de projetos alinhados às exigências do mercado financeiro.
O vice-presidente de Indústria Imobiliária da CBIC e presidente executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, defendeu a remoção do excesso de burocracia e dos entraves jurídicos para acelerar a transição. Ele apontou a pulverização de normas entre os escopos federal, estadual e municipal como um dos gargalos para materializar os projetos.
O que isso muda para engenheiros e arquitetos
Para os profissionais que atuam com projeto, obra e planejamento, a mensagem é prática: desempenho ambiental virou critério de competitividade. Incorporadoras, construtoras e escritórios que dominam ferramentas de modelagem e análise conseguem quantificar impacto, simular eficiência e apresentar métricas exigidas por investidores e financiadores.
Softwares como Revit, AutoCAD e ferramentas BIM ajudam a estruturar projetos com menor consumo de recursos e melhor desempenho energético — exatamente o que a agenda de cidades resilientes demanda. Quem domina essas tecnologias sai na frente em licitações, parcerias e linhas de crédito verde.
Como acompanhar a agenda
A CBIC conduz uma agenda técnica de alto nível para apoiar as empresas no alinhamento às melhores práticas e normas, com ações conjuntas com ABRAINC, GBC Brasil, Saint-Gobain, Secovi-SP e SindusCon-SP. Acompanhar essas iniciativas ajuda a antecipar tendências de mercado e requisitos técnicos que chegam aos projetos.
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