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Planejamento urbano sustentável: o que muda nas cidades

Planejamento urbano sustentável: especialistas defendem planos diretores com métricas, Plano Edifica a partir de 2027 e mais financiamento verde. Veja o que muda para a construção.

Planejamento urbano sustentável: o que muda nas cidades

O planejamento urbano sustentável deixou de ser pauta de debates para virar exigência concreta nas cidades brasileiras. Adequar planos diretores, aplicar métricas do Plano Clima e destravar o financiamento verde foram os eixos do Construindo Cidades Resilientes, fórum realizado em São Paulo pela CBIC com ABRAINC, GBC Brasil, Saint-Gobain, Secovi-SP e SindusCon-SP.

O que muda no planejamento urbano sustentável

A transição das cidades para um modelo mais resiliente exige adequação dos planos diretores em vigor e uma nova mentalidade no planejamento urbano. "Temos muito planejamento, metas, e agora é testar", resumiu Nilson Sarti, vice-presidente de Sustentabilidade da CBIC. Segundo ele, os planos diretores precisam levar as métricas em consideração para mitigar os impactos das mudanças climáticas.

  • Planos diretores com métricas de resiliência climática e indicadores mensuráveis
  • Revisão de códigos e ordenamentos urbanos para reduzir a vulnerabilidade das edificações
  • Metas específicas para adequar a habitação popular aos novos padrões
  • Alinhamento entre setor público e privado para dar efetividade à agenda

O secretário nacional de Mudança do Clima, Aloisio Lopes Pereira de Melo, reforçou que o momento exige transformar em ação as metas, métricas e indicadores do Plano Clima. "Os impactos ambientais são evidentes, uma realidade no mundo", ponderou. Para ele, o desafio brasileiro é identificar a forma correta de aplicar as métricas nos projetos de infraestrutura e habitação, tornando nítido o potencial de retorno financeiro para atrair investimento.

Eficiência energética e a nova fase da Taxonomia Sustentável

A eficiência energética também ganhou destaque no debate. Segundo Laisa Brianti, líder em transição energética do Mitsidi, a adoção do Plano Edifica terá início em 2027, começando pela adequação do setor público. A avaliação de conformidade seguirá os requisitos do PBE, com autodeclaração, e uma plataforma será estruturada para monitorar a implementação e agilizar a etiquetagem sem impor burocracia.

A Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) avança para uma segunda fase, que deve agregar temas como trabalho e desigualdade de gênero. Para Lília Sarrouf, coordenadora técnica do COMASP do SindusCon-SP e representante da CBIC no comitê consultivo da TSB, a ferramenta amplia a oferta de recursos para empreendimentos sustentáveis — e a nova etapa alcançará também pequenas e médias empresas.

No cenário global, a SB COP, aliança criada pela CNI para inserir o setor produtivo na COP 30, já engaja 40 milhões de empresas em 60 países, segundo Maria Emília Peres, do Orbis Instituto. Ela apontou, porém, um gargalo brasileiro: "faltam dados do Brasil, é difícil posicionar os setores brasileiros" na agenda climática internacional.

O financiamento sustentável foi outro eixo central: os debates buscaram saídas para o acesso a crédito, a percepção de risco dos investidores e a estruturação de projetos bancáveis, alinhados às exigências do mercado financeiro. Traduzir o desempenho ambiental em métricas financeiras é o caminho para ampliar os instrumentos verdes e reduzir o custo do capital para empreendimentos sustentáveis.

Como as cidades e a construção civil podem se preparar

O fórum deixou claro que a agenda climática deixou de ser pauta ambiental para influenciar competitividade, atração de investimentos e qualidade de vida. A construção civil assume papel estratégico: reduzir emissões, incorporar novas tecnologias, usar materiais de menor impacto e ampliar a eficiência energética e hídrica das edificações.

Nilson Sarti sinalizou que os paradigmas da TSB e do Plano Clima serão incorporados ao projeto O Futuro da Minha Cidade, iniciativa da CBIC conduzida pela CMA para estimular a participação da sociedade no planejamento estratégico. O tema também dialoga com o projeto Finanças Sustentáveis para a Construção, da CMA em parceria com o Senai.

Para engenheiros e arquitetos, o recado é prático: projetos que já nascem com métricas de desempenho, eficiência energética e documentação adequada estarão à frente no acesso a crédito e financiamento. Ferramentas BIM como Revit e Civil 3D ajudam a simular desempenho e organizar essas informações desde a concepção.

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