A qualificação profissional na construção civil é a prioridade central da CPRT para a gestão 2026-2029 da CBIC. David Fratel, engenheiro civil e novo presidente da Comissão de Política de Relações Trabalhistas, apresentou ao CBIC Hoje a agenda da área: fortalecer a formação de mão de obra, elevar a produtividade, modernizar as relações trabalhistas e ampliar a segurança jurídica nos canteiros. A comissão parte de um diagnóstico duro: cerca de 90% das empresas do setor têm dificuldade para preencher vagas técnicas e reter talentos.
Prioridades da CPRT para 2026-2029
Fratel, que também é vice-presidente da área de Política de Relações Trabalhistas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, destaca quatro eixos de atuação. O primeiro é o fortalecimento do Plano Nacional de Qualificação, desenvolvido em parceria com o SENAI e apoiado por programas como o Aprendendo a Construir e o Elas Constroem, que ampliam a entrada de novos profissionais no setor.
- Consolidar trilhas profissionais que valorizem as especialidades técnicas e ofereçam planos de carreira claros;
- Modernizar as relações trabalhistas com respeito à negociação coletiva e à viabilidade dos negócios;
- Ampliar a segurança jurídica nas convenções, preservando as especificidades regionais de cada estado;
- Fortalecer o monitoramento de indicadores de saúde, absenteísmo e rotatividade nos canteiros de obras.
Além da formação, a comissão quer modernizar as relações de trabalho sem comprometer a viabilidade das empresas. A segurança jurídica nas negociações coletivas aparece como pilar para dar previsibilidade ao setor. Na área de saúde e segurança, o foco é o monitoramento de indicadores, com ações preventivas e equilíbrio entre as exigências regulatórias e a realidade das construtoras, incluindo os riscos psicossociais previstos nas Normas Regulamentadoras.
Os desafios estruturais da construção brasileira
O diagnóstico apresentado por Fratel aponta quatro gargalos estruturais. O primeiro é a crise de atratividade do setor, refletida na dificuldade de 90% das empresas em preencher vagas técnicas e reter talentos. O segundo é o debate sobre a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais: sem ganhos de produtividade, a medida pode elevar custos, ampliar prazos e pressionar a inflação.
A construção brasileira ainda apresenta produtividade tecnológica baixa diante de países mais industrializados. A cultura do "quase pronto" aumenta o contingente nos canteiros e gera retrabalho, reduzindo a eficiência dos empreendimentos. A saída apontada pela CBIC é a industrialização da construção, com a transição de um modelo artesanal para processos baseados em tecnologia, planejamento e montagem industrial.
- Falta de mão de obra qualificada em cerca de 90% das empresas do setor;
- Redução da jornada sem ganhos de produtividade tende a elevar custos e prazos;
- Retrabalho e cultura do "quase pronto" reduzem a eficiência dos empreendimentos;
- Industrialização exige processos baseados em tecnologia, planejamento e montagem.
Qualificação profissional na construção civil é o caminho
Para Fratel, aumentos salariais reais e eventuais reduções de jornada só são sustentáveis quando acompanhados por ganhos efetivos de produtividade e pela redução do retrabalho. A qualificação profissional na construção civil é o caminho principal: ao fortalecer trilhas de carreira e ampliar a formação técnica em parceria com o SindusCon-SP e o SENAI, as empresas constroem com mais eficiência, menos desperdícios e maior nível de industrialização.
A CPRT também planeja criar um conselho consultivo multidisciplinar e multirregional, reunindo empresários, especialistas e lideranças em torno dos desafios do setor. A articulação com o Sistema S e com os Sinduscons estaduais deve aproximar as iniciativas nacionais das demandas locais, com destaque para a capacitação preparatória diante das novas exigências regulatórias.
Profissionais que dominam ferramentas digitais saem na frente nesse cenário. Softwares de BIM e planejamento de obras ajudam a reduzir retrabalho, compatibilizar projetos e dar previsibilidade aos empreendimentos — exatamente o que a agenda de produtividade da CBIC cobra das empresas.
Como acompanhar
A gestão 2026-2029 sinaliza um caminho claro: quem investir em qualificação profissional e produtividade terá vantagem competitiva nos próximos anos. Acompanhe as ações da CPRT e prepare sua equipe para as novas exigências do setor. Confira no catálogo CanalVIP as soluções de software que ajudam sua empresa a modernizar canteiros e projetos.